Depressão Major

Depressão Major

A Depressão Major é também conhecida por depressão unipolar, como referência à presença de apenas um pólo, ou humor extremo, neste caso o depressivo, por oposto àdepressão bipolar, composta pela alternância entre humor depressivo e mania (euforia, intensa agitação e actividade).
As pessoas reagem de formas diferentes na depressão major. Algumas apresentam dificuldades de sono, perdem peso e sentem-se genericamente agitadas e irritáveis. Outras podem dormir e comer em excesso e sentirem-se sem valor e dominadas por sentimentos de culpabilização. Ainda outras podem estar aparentemente bem, funcionarem bem no trabalho e aparentarem bem-estar em situações sociais, enquanto, lá no fundo, se sentem verdadeiramente deprimidas e sem interesse pela vida. Não existe uma forma única de viver a depressão – no entanto, a maior parte das pessoas fica dominada ou por um humor depressivo ou por uma perda generalizada de interesse nas actividades que anteriormente a interessavam, ou por uma conjugação destes dois aspectos. Além disso, apresentam outros sintomas físicos e mentais que podem incluir fadiga, dificuldades de concentração e memória, sentimentos de impotência e desespero, dores de cabeça, dores no corpo e pensamentos suicidas.
Nos adultos, a depressão major afecta duas vezes mais mulheres do que homens. Em ambos, é mais comum na faixa etária dos 25-44 anos, sendo mais provável afectar pessoas na casa dos vinte anos, ainda que a idade dos primeiros sintomas tenha vindo a diminuir ao longo do tempo. Nas crianças, a depressão clínica afecta uma proporção idêntica de rapazes e raparigas. Ao longo de toda a vida, a depressão irá afectar 10 – 25% de mulheres e 5 – 12% de homens. Em qualquer momento que se observe a população, 5 a 9% das mulheres e 2 a 3% dos homens estarão deprimidos. As pessoas com um dos pais ou irmãos que tiverem sofrido de depressão major têm 1,5 a 3 vezes mais probabilidades de vir a sofrer da mesma perturbação.
Para aqueles que têm episódios recorrentes de depressão major, o curso desta perturbação varia. Algumas pessoas têm crises depressivas separadas por vários anos sem qualquer sintomatologia enquanto outras podem ter períodos ao longo do tempo com vários episódios. Ainda outras podem ter crises depressivas progressivamente mais frequentes à medida que envelhecem. Alguns estudos têm vindo a identificar que quanto mais episódios depressivos uma pessoa vai tendo, assim vai diminuindo o intervalo entre eles. Além disso o número de episódios depressivos que uma pessoa teve serve como critério de previsão de próximos: das pessoas que tiveram uma única crise, 50 a 60% podem vir a sofrer um segundo episódio de depressão; dos que tiveram dois, 70% pode vir a sofrer um terceiro e 90% das pessoas que tiveram 3 episódios de depressão poderão vir a sofrer um quarto.
Cerca de dois terços das pessoas que têm um episódio depressivo major recuperam totalmente; o outro terço pode não conseguir ultrapassar a crise ou apenas recuperar parcialmente – neste caso, a probabilidade de vir a sofrer de nova crise depressiva major é mais elevada.
Estima-se que 10 a 25% das pessoas que reúnem critérios clínicos para um diagnóstico de depressão major, sofreram previamente de distimia.
O desenvolvimento da depressão major pode estar relacionada com algumas doenças orgânicas – cerca de 20 a 25% de pessoas afectadas por doenças oncológicas, acidentes cardiovasculares ou diabetes desenvolvem depressão major durante a doença. A intervenção nas doenças resulta mais complicada quando ocorrem em simultâneo com a depressão e o prognóstico do problema médico é menos positivo, o que faz sugerir fortemente um acompanhamento simultâneo psicoterapêutico, para resolução da depressão.
Frequentemente, outras situações do foro psicológico/psiquiátrico co-existem com a depressão major, como, por exemplo; o alcoolismo e toxicodependência, as perturbações de ansiedade, as perturbações de comportamento alimentar e a perturbação borderline da personalidade.
A gravidade da depressão major é indicada por alguns dados apontam que uma taxa de 15% de suicídio.

Distimia

As pessoas com distimia sentem pouca ou nenhuma alegria nas suas vidas – em vez disso, as suas vidas são bastante sombrias a maioria do tempo. Se sofrer de distimia, é provável que tenha dificuldade em recordar-se de momentos em que se sentiu feliz, entusiasmado ou inspirado, parecendo que esteve deprimido toda a sua vida. Provavelmente, é-lhe difícil ter prazer nas suas actividades ou divertir-se; em vez disso, instala-se a falta de vontade de fazer coisas e a tendência para o isolamento, preocupa-se frequentemente e critica-se por se sentir um falhado. Pode, igualmente, culpabilizar-se, sentir-se irritado, sem energia e ter dificuldade em dormir normalmente.
A distimia é uma forma de depressão, mais suave mas de maior duração, que afecta mulheres duas a três vezes mais do que homens. O diagnóstico aplica-se quando uma pessoa demonstra um humor depressivo durante pelo menos 2 anos. Para ser aplicado a crianças, bastará um ano de duração, e, em vez de tristeza ou humor depressivo, a criança poderá demonstrar irritabilidade. As pessoas com distimia podem parecer medianamente deprimidas de uma forma crónica, a um ponto em que parece fazer parte das suas personalidades. Quando finalmente procuram tratamento, é provável que já sofram de distimia há vários anos, em média 10 desde os primeiros sintomas – como surge precocemente na vida, entre a infância e o início da idade adulta, é habitual as pessoas terem-se adaptado de tal forma que consideram a sua forma de sentir e estar como normal. Este carácter crónico e que afecta o funcionamento normal em muito menor grau leva a que a distimia passe despercebida, frequentemente e, logo, não seja tratada. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores as probabilidades de recuperação. No caso das crianças, muito em particular, o diagnóstico e correcto tratamento são fundamentais para prevenir o desenvolvimento posterior de perturbações graves do humor, dificuldades académicas e sociais e, mesmo, o abuso de substâncias mais tarde.
Em qualquer momento, cerca de 3% da população pode sofrer de distimia. Quando existedepressão major na família, há uma maior probabilidade de se sofrer de distimia, e a distimia aumenta o risco de se vir a sofrer de depressão major – 10% das pessoas com distimia evoluem para depressão major.
A distimia surge, por vezes, associada com algumas perturbações de personalidade (evitantedependentehistriónicaborderlinenarcísica) e com o abuso de substâncias. A distimia nas crianças está relacionada frequentemente com perturbações da ansiedade, perturbações da aprendizagem, deficits de atenção e hiperactividade, perturbações de comportamento e atraso cognitivo.

Diagnóstico diferencial

  1. A pessoa tem um episódio depressivo único:Para se considerar um episódio depressivo a pessoa tem de ter apresentado, pelo menos, 5 dos 9 sintomas abaixo, durante 2 ou mais semanas consecutivas, a maior parte do tempo quase todos os dias, e estes sintomas deverão ter representado uma mudança face ao seu funcionamento anterior. Um dos sintomas tem de ter sido ou (a) humor depressivo (em crianças e adolescentes, pode corresponder a irritabilidade) ou (b) perda de interesse ou prazer, na maioria ou em todas as actividades. c)Uma perda ou ganho de peso significativos (ex: 5% ou mais de alteração no peso ao longo de 1 mês, sem esforço de regime alimentar); pode ser, igualmente, apenas aumento ou diminuição de apetite; nas crianças, este sintoma pode surgir como não ganharem o peso esperado face ao crescimento. d) Dificuldade em adormecer ou permanecer a dormir (insónia) ou dormir mais do que o habitual (hipersónia). e)Comportamento agitado ou lentificado, de uma forma observável para os outros. f) Fadiga ou decréscimo de energia g) Sentimentos de desvalorização pessoal ou de culpabilização elevada (não referente ao facto de estar doente). h) Dificuldades de raciocínio, concentração ou tomada de decisões. i) Pensamentos frequentes sobre morte ou suicídio (com ou sem um plano específico) ou tentativa de suicídio.
  1. Os sintomas não indicam um episódio misto
  2. Os sintomas causam grande perturbação ou dificuldades de funcionamento familiar, ocupacional ou outras áreas importantes
  3. Os sintomas não são causados por abuso de substâncias (ex: álcool, drogas, medicamentos) ou por doença do foro orgânico
  4. Os sintomas não se devem a um processo de luto ou morte de um ente querido, mantêm-se durante mais de 2 meses, ou incluem grande dificuldade no funcionamento quotidiano, pensamentos frequentes de desvalorização pessoal, ideação suicida, sintomas psicóticos ou comportamento lentificado (psicomotricidade retardada).
  5. Não existe outra perturbação que explique melhor a sintomatologia
  6. A pessoa nunca teve um episódio maníaco, misto ou hipomaníaco (a não ser que tenha sido um episódio causado por uma doença médica ou pela utilização de uma substância química)
Fonte: Oficina de Psicologia

Tipologias de Perturbação Bipolar


Tipologias de Perturbação Bipolar

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Isabel Policarpo
Isabel Policarpo
A perturbação bipolar é complexa e é comum na literatura psiquiátrica referir-se “o espectro das perturbações bipolares”, dado que há um número de condições relacionadas que partilham certas características em comum.
Todos os variantes da perturbação bipolar incluem mudanças do humor, mudanças do humor que são episódicas, isto é que não são contínuas e todas as perturbações são primariamente devidas a anomalias biológicas que envolvem mudanças da química cerebral. Trata-se de uma situação crónica e na ausência de tratamento a tendência é a progressivamente a tornarem-se mais graves.
De acordo com o DSM, existem quatro tipos básicos de perturbaçãp bipolar:
Perturbação Bipolar de tipo I – o paciente apresenta episódios de mania alternados com episódios depressivos major. As fases maníacas não precisam necessariamente de ser seguidas por fases depressivas, nem as depressivas por fases maníacas.
Na prática observa-se muito mais a tendência dos pacientes fazerem várias crises de um tipo e poucas do outro.
O início da perturbação dá-se geralmente em torno dos 20 a 30 anos de idade. O desenvolvimento da perturbação pode ser tanto pela fase depressiva como pela fase maníaca, e pode iniciar-se de forma gradual ao longo de semanas, meses ou abruptamente em poucos dias.
Em termos da prevalência estima-se que a perturbação bipolar de tipo I afecta entre 0,4 e 1,6% da população. Sabe-se que a incidência desta patologia na população mundial tem crescido significativamente. Não foram encontradas diferenças significativas na prevalência entre homens e mulheres na maioria dos estudos nem entre classes sociais, porém foi mais comum em solteiros e divorciados, provavelmente como consequência da doença.
O sexo parece estar relacionado com a ordem de aparecimento dos episódios maníacos e depressivos major. No homem é mais provável que o primeiro episódio seja um episódio maníaco. Enquanto as mulheres com distúrbio bipolar de tipo I têm maior risco de apresentar episódios no período imediato ao pós-parto.
No que respeita ao curso da perturbação sabe-se que a perturbação bipolar de tipo I é uma perturbação recidivante. Mais de 90% das pessoas que têm um episódio maníaco único, apresentarão episódios futuros. Aproximadamente 60-70% dos episódios maníacos surgem imediatamente antes ou depois de um episódio depressivo major. Frequentemente, os episódios maníacos precedem ou seguem os episódios depressivos major com um padrão característico para cada pessoa.
Há também alguns indícios de que as mudanças do ritmo sono-vigilia, como as que ocorrem em situações de privação de sono, podem precipitar ou exacerbar um episódio maníaco, misto ou hipomaníaco.
Embora a maioria das pessoas com perturbação bipolar de tipo I após os episódios regressem à normalidade, cerca de 20-30% mantêm labilidade afectiva e dificuldades interpessoais ou profissionais.
Perturbação Bipolar de tipo II – é o tipo mais comum de perturbação bipolar. O paciente apresenta uma frequência elevada de episódios depressivos major, que podem ser alternados com episódios de hipomania. Os episódios de hipomania não se devem confundir com os dias de eutimia que se podem seguir à remissão de um episódio depressivo major.
Comparativamente, e pensando em termos do ciclo de vida da pessoa verifica-se que aquela que é portadora de perturbação bipolar de tipo II passa três vezes mais do seu tempo deprimida do que uma pessoa com perturbação bipolar de tipo I.
A incidência da perturbação bipolar de tipo II rondará entre os 4 e 5% da população. Sabe-se que a incidência desta patologia na população mundial tem crescido significativamente.
O início da perturbação dá-se geralmente em torno dos 20 a 30 anos de idade e afecta um maior número de mulheres do que homens. As mulheres parecem ter um maior risco de apresentar episódios imediatamente após o pós-parto
Embora a maioria das pessoas com perturbação bipolar de tipo II após os episódios regressem à normalidade, cerca de 15% mantêm labilidade afectiva e dificuldades interpessoais ou profissionais.
Ciclotimia – Corresponde a uma versão mais benigna da perturbação bipolar, apresentando alternância de episódios depressivos mais leves com episódios de hipomania, pelo menos ao longo de dois anos, sendo todos os intervalos livres de sintomas inferiores a dois meses.
Os sintomas hipomaníacos são insuficientes em número, gravidade, importância ou duração para cumprir os critérios de um episódio maníaco e os sintomas depressivos são igualmente insuficientes em número, gravidade, importância ou duração para cumprir os critérios de um episódio depressivo major.
A ciclotimia tem uma prevalência entre 0,4-1% da população e geralmente tem início na adolescência ou no início da idade adulta, afectando do mesmo modo homens e mulheres. Um começo mais tardio da ciclotimia sugere uma perturbação do humor devido a uma doença orgânica, como pode ser o caso da esclerose múltipla.
Normalmente, a ciclotimia tem um início insidioso e um percurso crónico. Existe um risco entre 15 a 50% de sofrendo-se de ciclotimia vir a desenvolver posteriormente uma perturbação bipolar.
Na clínica e apesar da ciclotimia ter a mesma incidência em ambos os sexos, são sobretudo as mulheres que procuram tratamento.
Perturbação Bipolar não especificada – é quando a pessoa apresenta sintomas da doença mas que não são enquadrados em nenhuma perturbação bipolar específica. Os sintomas podem não durar o tempo suficiente, ou a pessoa pode ter poucos sintomas para ser diagnosticada como por exemplo com perturbação de tipo I ou II, de qualquer forma os sintomas saem claramente do padrão normal de comportamento da pessoa.
Neste quadro pode por exemplo haver uma alternância muito rápida (dias) entre sintomas maníacos e sintomas depressivos que não cumprem o critério de duração mínima para um episódio maníaco ou um episódio depressivo major. Ou pode-se assistir a episódios hipomaníacos recidivantes sem sintomas depressivos intercorrentes. Outras situações em que se opta por este diagnóstico é quando por exemplo o médico chega à conclusão que há uma perturbação bipolar, mas é incapaz de determinar se o mesmo é primário, devido a doença orgânica ou induzido por substâncias.
Em cerca de 10 a 20% das pessoas com perturbação bipolar de tipo I e II, tende a verificar-se uma alternância muito rápida (dias) entre os sintomas maníacos e os sintomas depressivos, nessa altura fala-se em ciclos rápidos.
Fala-se em ciclos rápidos se a pessoa experimenta quatro ou mais episódios de mania e/ou depressão num ano, mas há pessoas que têm muito mais que quatro episódios num ano e são designados de ciclos ultra rápidos.
Estes ciclos são mais comuns na perturbação bipolar de tipo II e nas pessoas do sexo feminino, bem como nas pessoas que têm perturbações bipolares severas e/ou que tiveram o seu primeiro episódio numa idade muito jovem.
As perturbações bipolares de tipo I e II com ciclos rápidos podem assemelhar-se à ciclotimia em virtude da elevada frequência das alterações de humor. De notar contudo, que na ciclotimia os estados afectivos não cumprem os critérios para um episídio depressivo major, maníaco ou misto, enquanto a especificação de ciclos rápidos exige que os episódios afectivos sejam completos.
Fonte: Oficina de Psicologia.
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Testemunho - Apelo


Hoje poderia ser um dia como outro qualquer, limitar-me-ia a constatar o meu sofrimento psicológico e físico, tomaria alguns lorenins de 2,5 mg, aguardaria a noite e amanhã tudo voltaria a ser idêntico.
A tarde amadureceu o meu sentimento de impossibilidade de resistir, a dôr de cabeça tornou-se violenta, não descobri uma sensação que sustentásse mais um momento... Os discursos de "tens tudo", "Já pensáste no sofrimento dos outros que têm doenças terminais", "Pensa em tanta desgraça por esse mundo fora"... Nenhum destes conselhos ou observações tolheram este meu sentir que já não era sentir, mas impulso libertação, raiva... Era preciso ter a "coragem" ou a "cobardia" de colocar termo a estes dias confusos, a esta vida sem futuro e com um passado com contornos imperfeitos, incompletos, plenos de desistência após desistência...
Não sei quanto tempo, quantos dias, mêses ou horas vou resistir...
Sei apenas que o meu valor morto é muito superior ao valor que tenho enquanto vivo...
Outrora o sucesso e o estatuto social tornavam-me a minha relação num investimento socio-económico vantajoso... hoje, não passo de um Assistente de Call Center com ordenados de 400 €.
Os "amigos" passaram a recear algum pedido e afastam-se... não se querem comprometer... Alguns familiares não resistem à opulência e nunca, mesmo nunca disseram : "Precisas de alguma coisa...?"

Estranhamente, nos momentos mais difíceis dos amigos, familiares e até dos traidores, estive lá e, voltaria a fazê-lo sem ressentimentos, não por religião ou previsão de eventual compensação no além, mas por imperativo categórico.

Chegámos ao fim do caminho... Ao longo da estrada só encontrei ganância e vaidade e muita gente a vencer na vida apenas por oportunismo com jogadas corruptas...

Jogava-se a sobrevivência, devia ter jogado sujo, concorrido àquela junta de freguesia ou para Vereador de Câmara. A inscrição no partido teria sido útil... 

Poderia ter feito tanta coisa que não gostaria que me fizessem, mas hoje seria um homem de sucesso...






Como combater a depressão


Como combater a depressão


Dra. Conceição Rosário


Muito se tem falado ultimamente acerca da depressão, pois nunca esta doença foi tão frequente quanto é hoje. Não iremos deter-nos em aspectos técnicos da doença, mas tentar dar alguns conselhos que possam ser úteis a alguns destes doentes. Sabe porque está deprimido?Podemos dizer que a depressão está ligada ao sentimento de culpa do passado que armazenamos no coração, ao sentimento de tristeza e melancolia, frente às dificuldades e problemas do presente e à ansiedade diante do futuro.Poderemos até dizer que a depressão é a doença da alma!Verificamos que grande número de doentes perante a pergunta ”sabe porque está deprimido?”, dificilmente encontram razões conscientes para a causa. O homem actual é um ser solitário.A família não é mais o que era, uma estrutura de apoio para cada um dos seus membros, pois todos vivem correndo, sem tempo para o diálogo, para a partilha. Vai-se cavando um fosso que afasta as pessoas daquilo que realmente as deveria unir, pois no meio de tantas corridas deixou de haver tempo para sorrir, para dizer umas às outras o quanto se amam, para além das suas diferenças.Por outro lado cada vez há mais pessoas vivendo sozinhas sem terem com quem conversar, partilhar alegrias e tristezas. Algumas não têm família, outras, a família também deixou de ter tempo para elas!O homem é um ser gregário, que não nasceu para viver sozinho e sempre que partilha a vida, é mais feliz.O afastamento da natureza também tem sido prejudicial para o ser humano. Quantas vezes conseguimos hoje apreciar o sol, olhar para uma flor, ouvir o chilrear de um pássaro? O sol é um grande inimigo da depressão.Pelo contrário, ligamos a televisão, vemos notícias só de desgraças, como se já tivessem deixado de existir coisas bonitas!O homem de hoje tornou-se medroso: medo das doenças, medo das catástrofes, medo de solidão, …Mas, acima de tudo, o homem perdeu-se. Não sabe quem é.Os valores actuais deixaram de ser o SER para passarem a ser o TER. E, nesta corrida, para o TER muita coisa se perde. Por vezes perde-se o principal, a verdadeira identidade. Sim, porque bem lá no fundo, a grande aprendizagem da vida é o amor a que todo o ser humano aspira.


A depressão é uma condição médica definida que afecta 20 por cento da população portuguesa. Aprenda a reconhecê-la.



A depressão é a principal causa de incapacidades e a segunda causa de perda de anos de vida saudáveis entre as 107 doenças e problemas de saúde mais relevantes. Os custos pessoais e sociais da doença são muito elevados.
Uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre, sofreu ou vai sofrer de depressão. Um em cada cinco utentes dos cuidados de saúde primários portugueses encontra-se deprimido no momento da consulta.
A depressão encontra-se reconhecida no Plano Nacional de Saúde 2000-2010 como um problema primordial de saúde pública.O que é a depressão?
A depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.
Ter sentimentos depressivos é comum, sobretudo após experiências ou situações que nos afectam de forma negativa. No entanto, se os sintomas se agravam e perduram por mais de duas semanas consecutivas, convém começar a pensar em procurar ajuda.
A depressão pode afectar pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade, e se não for tratada, pode conduzir ao suicídio, uma consequência frequente da depressão. Estima-se que esta doença esteja associada à perda de 850 mil vidas por ano, mais de 1200 mortes em Portugal.
A depressão pode ser episódica, recorrente ou crónica, e conduz à diminuição substancial da capacidade do indivíduo em assegurar as suas responsabilidades do dia-a-dia. A depressão pode durar de alguns meses a alguns anos. Contudo, em cerca de 20 por cento dos casos torna-se uma doença crónica sem remissão. Estes casos devem-se, fundamentalmente, à falta de tratamento adequado.
A depressão é mais comum nas mulheres do que nos homens: um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde, em 2000, mostrou que a prevalência de episódios de depressão unipolar é de 1,9 por cento nos homens e de 3,2 por cento nas mulheres.
Quais são os factores de risco?
Pessoas com episódios de depressão no passado;
Pessoas com história familiar de depressão;
Pessoas do género feminino – a depressão é mais frequente nas mulheres, ao longo de toda a vida, mas em especial durante a adolescência, no primeiro ano após o parto, menopausa e pós-menopausa;
Pessoas que sofrem um qualquer tipo de perda significativa, mais habitualmente a perda de alguém próximo;
Pessoas com doenças crónicas - sofrendo do coração, com hipertensão, com asma, com diabetes, com história de tromboses, com artroses e outras doenças reumáticas, SIDA, fibromialgia, cancro e outras doenças;
Pessoas que coabitam com um familiar portador de doença grave e crónica (por exemplo, pessoas que cuidam de doentes com Alzheimer);
Pessoas com tendência para ansiedade e pânico;
Pessoas com profissões geradoras de stress ou em circunstâncias de vida que causem stress;
Pessoas com dependência de substâncias químicas (drogas) e álcool;
Pessoas idosas.
É possível prevenir a depressão?
Como em todas as doenças, a prevenção é sempre a melhor abordagem, designadamente para as pessoas em situação de risco, pois permite a intervenção precoce de profissionais de saúde e impede o agravamento dos sintomas.
Se sofre de ansiedade e/ou ataques de pânico, não hesite em procurar ajuda médica especializada, pois muitas vezes são os primeiros sintomas de uma depressão.
Se apresenta queixas físicas sem que os exames de diagnóstico encontrem uma explicação então aborde o assunto com o seu médico assistente.
Quais são os sintomas da depressão?
A depressão diferencia-se das normais mudanças de humor pela gravidade e permanência dos sintomas. Está associada, muitas vezes, a ansiedade e/ou pânico.
Os sintomas mais comuns são:
Modificação do apetite (falta ou excesso de apetite);
Perturbações do sono (sonolência ou insónia);
Fadiga, cansaço e perda de energia;
Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e de auto-estima, sentimentos de culpa e sentimento de incapacidade;
Falta ou alterações da concentração;
Preocupação com o sentido da vida e com a morte;
Desinteresse, apatia e tristeza;
Alterações do desejo sexual;
Irritabilidade;
Manifestação de sintomas físicos, como dor muscular, dor abdominal, enjoo.
Quais são as causas da depressão?
As causas diferem muito de pessoa para pessoa. Porém, é possível afirmar-se que há factores que influenciam o aparecimento e a permanência de episódios depressivos. Por exemplo, condições de vida adversas, o divórcio, a perda de um ente querido, o desemprego, a incapacidade em lidar com determinadas situações ou em ultrapassar obstáculos, etc.
Determinar qual o factor ou os factores que desencadearam a crise depressiva pode ser importante, pois para o doente poderá ser vantajoso aprender a evitar ou a lidar com esse factor durante o tratamento.
Algumas doenças podem provocar ou facilitar a ocorrência de episódios depressivos ou a evolução para depressão crónica. São exemplo as doenças infecciosas, a doença de Parkinson, o cancro, outras doenças mentais, doenças hormonais, a dependência de substâncias como o álcool, entre outras. O mesmo pode suceder com certos medicamentos, como os corticóides, alguns anti-hipertensivos, alguns imunossupressores, alguns citostáticos, medicamentos de terapêutica hormonal de substituição, e neurolépticos clássicos, entre outros.
Como se diagnostica a depressão?
Pela avaliação clínica do doente, designadamente pela identificação, enumeração e curso dos sintomas bem como pela presença de doenças de que padeça e de medicação que possa estar a tomar.
Não existem meios complementares de diagnóstico específicos para a depressão, e a bem da verdade, tão pouco são necessários: o diagnóstico clínico é fácil e bastante preciso.
Dirija-se sempre ao seu médico de família ou clínico geral: estes médicos podem reconhecer a presença da doença, e caso considerem necessário, podem contactar com um médico psiquiatra para esclarecimento do diagnóstico e para orientação terapêutica (o medicamento a usar, a dose, a duração, a resposta esperável face ao tipo de pessoa, a indicação para um tipo específico de psicoterapia, a necessidade de outros tipos de intervenção, etc.).
Como se trata a depressão?
Normalmente, através do uso de medicamentos, de intervenções psicoterapêuticas, ou da conjugação de ambas.
As intervenções psicoterapêuticas são particularmente úteis nas situações ligeiras e reactivas às adversidades da vida bem como em associação com medicamentos nas situações moderadas e graves. A decisão de iniciar uma psicoterapia deve ser sempre debatida com o seu médico: a oferta de serviços é grande, não é auto-regulada, e é difícil a pessoa deprimida conseguir escolher o que mais lhe convém sem ajuda médica.
Os medicamentos usados no tratamento das depressões são designados por antidepressivos. Estes medicamentos são a pedra basilar do tratamento das depressões moderadas e graves e das depressões crónicas, podendo ser úteis nas depressões ligeiras e não criam habituação nem alteram a personalidade da pessoa. Com a evolução da ciência e da farmacologia, estes medicamentos são cada vez mais eficazes no controlo e tratamento da depressão, nomeadamente por interferência com a acção de neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina, no hipotálamo, a zona do cérebro responsável pelo humor (emoções).
Se o médico lhe prescrever medicamentos antidepressivos, siga as suas indicações e nunca pare o tratamento sem lhe comunicar as razões. Estes medicamentos não têm efeito imediato: pode demorar algumas semanas, 4 a 6, até começar a sentir-se melhor. O tratamento dura no mínimo quatro a seis meses. Obtenha toda a informação e esclareça todas as dúvidas com o seu médico.
Veja também
Consulte ainda:
Direcção-Geral da Saúde - Rede de Referenciação de Psiquiatria e Saúde Mental - Adobe Acrobat - 1.698 Kb Administração Regional de Saúde do CentroEAAD – European Alliance Against DepressionOrganização Mundial de Saúde


fonte: Direcção-Geral da Saúde

SOBRE A EFICÁCIA DOS FÁRMACOS!


28 de Fevereiro de 2008
Estudo britânico questiona eficácia de antidepressivos


Pesquisa efectuada na Grã-Bretanha considera a última geração de antidepressivos como sendo pouco eficaz na maioria dos pacientes.


O estudo foi conduzido por investigadores da Univerdade de Hull, argumentando que os fármacos apenas ajudam um pequeno grupo de pessoas que sofrem de depressão severa.

Os cientistas analisaram dados de 47 testes clínicos, concentrando-se em medicamentos conhecidos como Inibidores Selectivos da Recaptura de Serotonina (ISRS), actuando estes através do aumento da serotonina no cérebro, uma hormona que controla o humor.

Os investigadores notaram que os efeitos positivos destes medicamentos em pacientes com depressão profunda eram "relativamente pequenos". Entre os fármacos que foram estudados encontram-se nomes como Prozac, Seroxat ou Efexor.

Irving Kirsch, coordenador da pesquisa, afirma que as diferenças entre os pacientes que tomaram o placebo e o medicamente não são muito grandes.
"Isto significa que pessoas com depressão podem melhorar sem tratamentos químicos", disse o investigador.

De acordo com os cientistas, a maioria dos pacientes acredita que os fármacos funcionam, o que explica o chamado efeito placebo, onde as pessoas se sentem melhor por apenas saberem que estão a tomar um medicamento que os irá ajudar.

"Diante destes resultados, parecem haver poucas razões para se receitarem antidepressivos, a menos que os tratamentos alternativos tenham falhado", concluiu o investigador.

O estudo veio provocar polémica na indústria farmacêutica, na qual a Eli Lilly, fabricante de Prozac, afirmou que diversas pesquisas médicas e científicas já demonstraram que o medicamento é um antidepressivo eficaz.
Um porta-voz da GlaxoSmithKline, responsável pelo Seroxat, comentou igualmente sobre o estudo, considerando que se baseou em "uma pequena amostra do total de dados disponíveis".

Pedro Santos

Fonte: http://www.farmacia.com.pt

Crises Frequentes...


As mãos, os pés, as extremidades ficam geladas, surgem as dificuldades em respirar, surge uma tosse que parece ser um meio de nos defendermos... A senção é de morte iminente, sem que nada nem ninguém nos possa ajudar... No ínicio, tudo parece perder a nítidez, a memória quase desaparece e dá lugar à confusão. O coração ora parece acelerar, ora tudo parece parar, a boca está seca... Ocorre um mal-estar a nível do estomago e instestinos, há gases... A tensão arterial sobe, perco a força, não consigo falar ou andar... O corpo contorce-se, as mãos tocam o rosto, fixam-se em qualquer lugar... Parece ser o final... Nestas horas de crises repetidas já tomei sedativos, aspirina, hipertensores... Nada parece resultar... Neste momento, estou nesse estado!
Estou no limite...

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